Ídolos Quebrados

30 de abril de 2020 by in category Educação with 0 and 0

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Todo este incidente de Copa do Mundo serve pra nos mostrar o quanto depositamos a nossa confiança em ídolos fajutos, heróis de mentira que representam falsos ideais, valores deturpados, e representam uma ilusão, uma idealização de nação com valores que podem não ser reais.

E convenhamos, normalmente não são.

Falamos das cobranças excessivas sobre os nossos jogadores. Ídolos? Craques? Não. Apenas pessoas idealizadas.

Neles depositamos as nossas esperanças. E neles despejamos todas as nossas críticas, frustrações e desapegos.

Para Jung, “um ídolo é uma representação fantasiosa de valores e ideais representativos, não necessariamente reais.” Ele personifica o que há de melhor em nós, ou aquilo que desejamos mais profundamente, e quando se expõe, mostra algum defeito ou fracassa, nos irritamos e passamos não mais a adorá-los, mas a persegui-los, quando na verdade o que odiamos nele é sua faceta mais humana, exatamente aquilo que procuramos esconder em nós e, assim, nos irritamos quando aquele a quem confiamos o papel de “ser o nosso melhor” faz exatamente o contrário, mostrando a nossa pior faceta… ou ao menos a projeção do nosso negativo.

Todos somos espelhos do meio em que vivemos, e com os ídolos não é diferente. Mas escolhemos não ver seu lado negativo para que ele represente apenas nosso lado positivo, apenas o que temos de melhor.

Desta maneira, ídolos do futebol, “heróis” da nação, aquilo que de melhor temos a mostrar para o mundo.

Mas… QUE nação eles representam? QUE valores estão carregando, e se fazendo mostrar através deles e de seu trabalho.

Um país com uma corrupção nunca antes vista? Com índices de insatisfação política e social inigualáveis? Um país de criminalidade e impunidade?

Isto é o que os jornais e a mídia internacional conhecem do Brasil. Então, quando nossos “representantes” entram em campo parecendo os melhores, e vão se degradando, o que eles estão mostrando ao mundo?

Na minha opinião, que somos uma farsa. Uma ilusão. Que nos vestimos com ideais que não possuímos. Então como podemos cobrar dos nossos ídolos algo diferente? Como podemos culpá-los por ser exatamente o que somos, e mostramos ao mundo?

O brasileiro está insatisfeito, e não tem heróis dentro de “seu campo”, suas fronteiras, sua política. Então o futebol é o que temos de melhor pra mostrar ao mundo, o “nosso patrimônio”, como dizem por aí.

Então, como heróis, como ícones, como PENTA-CAMPEÕES, espera-se que seja aquela seleção dos sonhos, o Dream-Team dos campos. Um time que quando entra em campo, o mundo treme, e o adversário pensa duas vezes se quer realmente ser nosso adversário.

Quando Mike Tyson entra num ringue, a platéia explode em ovações. Quando Magic Johnson (e tantos outros) pisam numa quadra, os flashes explodem por toda parte. Eles SÃO o jogo, e dominam a quadra do começo ao fim.

Mas o mais importante, eles representam ideais de seus países. Tomei acima apenas dois elementos esportivos americanos, mas podemos ir atrás de muitas outras referências.

O Brasil do futebol, o Brasil de Pelé, deveria ser exatamente isto. O país que quando entra em campo o mundo para pra assistir.

Mas de alguns anos para cá, o que temos mostrado no futebol é apenas um reflexo do nosso desespero enquanto nação. Os nossos defeitos, enquanto país. Entramos em campo consagrados como “os melhores”, mas ao primeiro esforço, o que aparece são as nossas fraquezas, nossas falhas, nossas dores, e o nosso pior.

Então caem as máscaras, e por trás dos sorrisos e da admiração mundial pelo nosso futebol, restam as críticas pela nossa má administração, pela política corrupta e pela completa anarquia em que vivemos, um País sem educação, sem segurança… mas que insiste em ter esperança em dias melhores.

Porque ídolos são apenas IDEALIZAÇÕES. Eles não somos nós, em nossas vidas. Não são quem trabalha a nossa labuta diária, não são quem levam nossos filhos nas escolas todos os dias, e que saem para nos proteger sem a certeza do que encontrarão pela frente, e sequer sabem se vão voltar para casa.

O brasileiro, um país de milhões de vidas, não pode dizer que aqueles vinte nos representam. Seria muita pretensão. Mas nestes dias louvados de Copa do Mundo, de heróis eleitos para representar seus países, nossos vinte acabaram levando muito mais do que nosso melhor. Eles levaram nossas ilusões e nossa desesperança, mascarados de campeões. E quando perderam aquele jogo, o primeiro pensamento que nos acometeu enquanto nação não foi o 2 a 1 que amargamos? Sequer foi a famosa inquisição, a busca por culpados. Maldito fulano, cicrano incompetente, que técnico porcaria…

Não! O que tomou conta da mídia foi um tremendo “de volta à rotina”.

Acabaram as desculpas para olhar pra nossas vidas e ver o que estamos cansados de ver, e saber o que estamos carecas de saber:

Que nosso País já viu dias melhores, e que teremos uma luta inigualável pela frente, ninguém tem a menor dúvida. Mas a vida não é futebol, entrar em campo, chutar uma bola, fazer alguns dribles. Vai ser preciso muito planejamento, muitas mudanças de atitude e re-decisões.

Se queremos que o País mude, não vai ser sentando na frente de uma televisão vendo jogo após jogo e ficando alheio às nossas próprias vidas.

Porque o tempo não dá trégua, e as coisas não mudarão enquanto nós não mudarmos.

E PRECISAMOS muito mudar. Para que os nossos ídolos voltem as er ídolos, e para que tenhamos alegriias, respeito e esperança para depositar neles, de que serão MAIS um momento de glória e conquista, não os únicos, mas MAIS momentos, exaltando a nação que somos, e não nossas ilusões.

Porque um país de ilusões mantém ídolos de mentira.

Mas um povo forte e unido promoverá heróis que lutam DENTRO de suas fronteiras, e exaltem e representem esta união, força e valores sólidos e presentes em nossas vidas,

Não precisamos de heróis cujo sonho seja estar longe daqui, representando outras bandeiras, outros países, outro “futebol”.

Precisamos de heróis que QUEIRAM estar aqui, e que, insatisfeitos, unam-se a nós para lutar por um País melhor.

Deixem que a Europa cuide da Europa, e o futebol europeu cuide de si.

Vamos cuidar, e lutar pelo NOSSO País.

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